e já é quase 31

28/04/2010

o friozito começa e me fez lembrar deste blog. melhor aos 30? depois de quase um ano na terceira década, não tenho resposta pra isso – é óbvio, se tivesse tal ensinamento, teria escrito o livro definitivo, ficado rica e – pelo menos neste setor – estaria melhor aos 30.

o que dá pra dizer, sem medo de errar, é que as coisas ficaram um pouco mais complicadas neste ano – ou ainda, no acumulado dos doze meses. neste período, rolou um namoro que foi uma coisa de louco (quem sabe um dia eu desapego e conto aqui porque), mas que foi uma catarse. depois de um namoro e um final civilizados e de uma assepsia de hospital. sem sangue, sem mortos e (quase) sem feridos, diria que veio a calhar. se o anterior era música de elevador, este foi um tango hardcore, terminamos esfaqueados – e curiosamente não tenho uma mágoa sequer do parceiro de dança.

também neste período, deixei o emprego mais estável do mundo pra me juntar com outros dois – agora três – malucos. que também estavam querendo ver sangue.

se aos 29, a urgência estava me movendo – vamos casar logo, engravidar logo, decidir o futuro todo pra já -, os quase 31, se não me deixaram mais serena, fizeram ver que vida é movimento.

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resumo mais que perfeito. mas o texto também vale a pena, aqui.

o três e o zero

23/06/2009

alguém pergunta e eu me engano, mas me corrijo em seguida. é que não me acostumei ainda. olho para o perfil no orkut e eles estão lá, juntos. o três e o zero no campo age.

procuro por sinais de que as coisas mudaram. há 30 anos em zh, nada demais, só os eua querendo intervir na nicarágua. hoje, os países são outros, mas eles seguem intervindo. meu cabelo era o mesmo do dia 11. minha vontade de perder uns quilos, minha milésima promessa de usar todos os dias o antirrugas e voltar pra academia continuavam ali. acordei com a mesma dorzinha chata no ombro direito que me persegue há alguns anos.

e aí percebi que passei um ano inteirinho me angustiando à toa. achando que estava inexoravelmente ficando velha. ok, estou, estamos. mas que diferença faz? tá tudo igual aos 29.

ou ainda, não tá não. há um ano, eu estava muito mais velha que agora. já tinha escrito meu futuro em detalhes. imaginava o que ia acontecer pelos próximos cinco ou dez anos e achava tudo muito natural. um apartamento, um casamento, um filho dali a dois anos. longe de estar apaixonada, estava serena. e serenidade em excesso envelhece.

agora, aos trinta, os próximos seis meses são uma interrogação, que dirá os cinco anos seguintes. nem mesmo o apartamento posso ter certeza que vai sair – na planta, é uma incógnita. a dúvida revigora. se pudermos aceitá-la sem nos angustiarmos em demasia, é claro.

a dúvida anda do lado da paixão. e isso sim que faz o cabelo e a pele ficarem diferentes.

tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. já dormiu de conchinha, já fez jantinha e vê tevê abraçado no sofá. aí ele, como quem não quer nada, dizque não quer nada mesmo: que não pensa em namorar agora. tudo bem, você também não. mas ele reitera: não quer namorar nunca mais. porque anos de namoro depois ele decidiu que se envolver é uma tremenda perda de tempo.
e aí, você, quem nem estava pensando nisso, de repente fica surda porque dispara um alarme na sua cabecinha. nunca mais? e se você não achar que as coisas vão bem do jeito que estão daqui a dois meses? ou três? ou oito? e se você se apaixonar por aquele cara que hoje você via como uma excelente companhia?
certas reclamações (predominantemente femininas) parecem não ter razão de ser. se o cara faz juras e não era nada daquilo, é mentiroso; se é honesto e diz simplesmente que não pretende namorar, obviamente tem fobia de compromisso e é um egoísta. epa. será que é razoável pensar assim?
nós, mulheres, temos uma pecinha inata que nos faz pensar que com a gente, vai ser diferente. o maior canalha vai cair de quatro, o vagabundo vai começar a trabalhar, o ladrão se regenerará pelo nosso amor. NOT. ninguém muda se não quer mudar. as coisas acontecem de dentro pra fora.
mas essa pecinha feminina vai mais longe. ela faz com que a gente QUEIRA essa dificuldade. você, que nem pensava em promover o moço a namorado, pode começar a pensar nisso só pelo gostinho do desafio. de novo, NOT. esse desafio vai ter um gostinho amargo, fatalmente. ele te avisou que não quer. qual a parte que você não entendeu?
por sorte, beirando os 30 – são só mais dez dias de vinte e poucos… – estou aprendendo a controlar a pecinha, depois de muito penar com ela. se eu não quero namorar agora, por que me preocupar AGORA? não dá pra pensar nisso mais tarde, se precisar pensar? a ideia é se abster de aborrecimentos com coisas que não estão realmente incomodando, pelo estranho prazer de sofrer de graça.
cresçamos meninas, cresçamos.

comédia romântica

15/05/2009

que tal completar 30 anos em pleno dia dos namorados (sem namorado e sem amigos, que estarão curtindo algum FONDUE da cidade), inverno (e invariavelmente chuvoso) e feriadão (quando os poucos amigos solteiros provavelmente vão viajar)? isso poderia ser um enredo de uma comédia romântica, se a mocinha conhecesse um homem incrível na cafeteria/descobrisse que é apaixonada pelo melhor amigo. mas era o que estava se desenhando ameaçadoramente para mim em menos de 30 dias.

NOT.

portanto, comprei ontem passagens para migrar para são paulo, para ficar bem longe desta pintura e, quem sabe, me dar bem.

e descubro que é o feriado da parada gay.

realmente, uma comédia. mas para romântica não serve.

já fui uma namorada maluca. dessas que dão vexame e aparecem em reportagens da nova. aos 17 anos, derramei uma lata de azeite de oliva na camiseta do meu então namorado, que estava assinada pelos colegas – e PELAS colegas – do terceiro ano. o seguinte, aos 20, levou nada menos que um tapa, em plena festa, porque  estava dançando de forma libidinosa com uma colega. e com ambos tive muitos outros quebra-paus pelas mais diversas razões.

depois disso, já solteira, comentei com um amigo que ia tratar o meu próximo namorado como amigo. a gente não faz grosserias com um amigo.  não despeja as frustrações do dia nas costas dele. não cobra. então, concluí que esta seria a melhor maneira de levar um relacionamento. sem excessos e sem desespero.

e foi o que fiz – ou tentei fazer – no meu último relacionamento. foi difícil, já que, com ele, pela primeira vez ultrapassei a barreira da paixão – que, dizem, dura dois anos. foram quase seis, onde errei muito, mas sei que acertei muito mais. e também não fui 100% bem-sucedida, se levarmos em consideração que não estamos mais juntos.

estou numa fase de ler autores diferentes que me caem nas mãos. e tive uma grata surpresa com um livro de crônicas de um autor português que ganhei de um colega no jornal. o nome do cara – o escritor, não o colega – é joão pereira coutinho, e do livro, uma coletânea de crônicas publicadas na folha de s. paulo, av. paulista.

aproveitando o primeiro friozinho do ano, estava devorando as crônicas – que falam principalmente de dicas de autores, filmes, livros, músicas – com uma xícara de toddy light bem quentinha quando dou de cara com esse discurso:

O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite, e mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o “amor verdadeiro” é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente. (…) Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.

ele estava falando de jane austin, orgulho e preconceito. mas podia estar falando de mim. sou daquelas que leva um milhão de anos para se apaixonar, se envolver. e também sou daquelas que tenta ressuscitar o que parece não ter mais jeito. 

não entendo como se encerra um amor com outro. morro de inveja de quem consegue.

homem-clichê

05/04/2009

uma reportagem em primeira pessoa na marie claire diz que há 1.162.000 mulheres brasileiras na faixa entre 30 e 39 anos solteiras – seria uma comunidade e tanto no orkut. elas (nós? ainda tenho 29, me deixaaaa) estão pelas ruas, pelas festas, pelas salas de cinema vendo “ele não está a fim de você”. e os homens nesta faixa etária? infelizmente, salvo raras exceções (se você é uma e lê este blog, miliga, miadd no orkut, mifollow no twitter) se estão pelas ruas e pelas festas, estão dando um camba na mulher. ou se parecem com esse cara que descrevo a seguir.

achava que só existiam nos filmes. de comédia romântica. como piada. mas não, existem mesmo. eu vi um. vi, ouvi e peguei. mas foi uma experiência antropológica, que culminou com um ataque de riso no banheiro depois de ele citar Milan Kundera. mas me adianto.

realmente existem homens que acham que há um modo certo de fazer as coisas.  devem ser os equivalentes masculinos das mulheres que leem manuais. um destes cruzou o meu caminho. perguntou qual meu Garcia Marquez favorito. me chamou para um vinho e perguntou que uva eu preferia. encheu os olhos de lágrimas para falar no pai. me convidou para viajar na páscoa, do NADA. e usou da seguinte lista:

cite livros intelectuais
se interesse pelo trabalho dela
diga como ela é bonita e inteligente
fale sobre o seu trabalho, se for burocrático/entediante, diga que está nessa pelo dinheiro, mas que sabe que pode mais
chame para um vinho. cerveja é coisa de bagaceira
pague a conta dela no bar
quando ela chegar ao seu apartamento, ofereça bebida. deixe a casa à meia-luz
ponha um som romântico. nei lisboa serve.
deixe seu aparato esportivo visível pela casa. e se gabe de andar 100 quilômetros de bicicleta
se ela der pra você, não peça o telefone. afinal, você é um homem-clichê, e mulher que vale a pena não dá no primeiro encontro.

mal sabia ele que nem precisava de tudo isso. a combinação ele ser bonito + eu estar na seca + 3 caipirinhas de morango = sexo em qualquer circunstância.

só lamento ter deixado na casa dele uma flor que estava no cabelo. comprei no rio, que perda.

o foda mesmo de fazer 30 anos é que é inexorável – a idade só vai aumentar e as coisas que te irritam/aborrecem/entristecem só vão se agravar. ou melhor, uma hora tu faz 80 anos e para de se preocupar. sair à noite, por exemplo.

taí uma coisa que tenho evitado. fico triste, de verdade, quando vejo hordas de mulheres de 30 e poucos anos, solteiras, maquiadíssimas, alisadíssimas, fazendo a dança do canguru*.

nestas festas, costumo ter dois comportamentos: ou bebo até dizer chega ou fico triste por mim, pela espécie etc. ou os dois. muito atraente, portanto. posso ser preconceituosa, mas o que eu vou fazer? fico triste.

nente fim de semana, no aniversário de uma amiga, vi um pouco disso, o que não chegou a me aborrecer porque era uma festa fechada e eu conhecia boa parte das pessoas (quando estou entre amigos me sinto protegida deste ambiente de caça).

mas percebi uma coisa ainda pior que as mulheres: os homens. sim, os homens solteiros são piores que as mulheres. eles estão pançudinhos, carecas, suam como porcos.

foda. dá até pra entender a suzana vieira.

* consiste em flexionar os joelhos levemente, para cima e para baixo, enquanto se olha para a esquerda e a direita em busca de um alvo. o copyright é de um professor do universitário, na década de 90.

já estou conformada em não perceber mais quantos anos as pessoas têm. entre 20 e 40 anos, pode-se ter qualquer idade, loiras de longos cabelos e pose de gatinha estão beirando os quarenta, meninos mais novinhos estão judiados por cerveja e cigarro all night long, e é bem provável que a idade não esteja melhorando as minhas vistas, o que só soma para a confusão.

no entanto, tem uma coisa que entrega a idade para o bem e para o mal, inexoravelmente: o linguajar. por pouca que seja a diferença que cinco, seis anos (ok, dez) possa trazer em termos de referências – todo mundo sabe quem é a xuxa aí, certo? -, depois de uma certa idade, tu aprendes que certas gírias não se aplicam mais. e é aí que quero chegar, depois de todo esse preâmbulo: quando foi que os caras pararam de chamar só os amigos e começaram a chamar as mulheres de MEU?

não é um termo novo. os guris se chamavam de “meu” quando eu era criança. mas não chamavam as gurias de meu. nem de “minha”. tenho a impressão de que estive em uma caverna nos últimos anos. e agora, quando saí do exílio e sentei numa mesa de bar com esses caras, eles estão falando comigo – com o claro intuito de me beijar em instantes – e me chamando de MEU.

parem, parem, parem. é muito deselegante.

o medinho dos 30 (e 31, 32, 33 e por aí vai) não é privilégio das XX. eis que nas notícias que aparecem lá em cima do gmail surge esta matéria do uol esporte:

Aos 35 anos, artilheiro do Vitória pede para não ser chamado de vovô

Autor de três gols na goleada por 7 a 0 sobre o Poções, o experiente meia Jackson, que no próximo dia 23 de março completará 36 anos, fez um pedido à imprensa nesta quinta-feira. Ele pediu para não ser chamado de vovô.  “Eu não gosto de ver as pessoas me chamando de vovô. Passo com meus filhos na rua e os torcedores me chamam de vovô. Eu não quero que as outras crianças que me encontram na rua me chamem desse jeito”, disse. “Nenhum preconceito, mas ainda não sou vovô. Aos 35 anos sei que ainda posso jogar muito”, declarou o meia.

men can be cruel.