o medinho dos 30 (e 31, 32, 33 e por aí vai) não é privilégio das XX. eis que nas notícias que aparecem lá em cima do gmail surge esta matéria do uol esporte:

Aos 35 anos, artilheiro do Vitória pede para não ser chamado de vovô

Autor de três gols na goleada por 7 a 0 sobre o Poções, o experiente meia Jackson, que no próximo dia 23 de março completará 36 anos, fez um pedido à imprensa nesta quinta-feira. Ele pediu para não ser chamado de vovô.  “Eu não gosto de ver as pessoas me chamando de vovô. Passo com meus filhos na rua e os torcedores me chamam de vovô. Eu não quero que as outras crianças que me encontram na rua me chamem desse jeito”, disse. “Nenhum preconceito, mas ainda não sou vovô. Aos 35 anos sei que ainda posso jogar muito”, declarou o meia.

men can be cruel.

bom de ser uma mocinha é usar maquiagem sem ficar com cara de criança que roubou os produtos da mãe. nunca fui de usar nada, era cara lavada fever até ver umas fotos no ano passado e achar que uma corzinha aqui e ali não faria mal a ninguém. o que ainda preciso pegar o jeito é o incrível processo de demaquiagem. me sujo, me molho, deixo a toalha do banheiro laranja. mas tudo se aprende com o tempo.

em ezeiza, na volta de buenos aires, onde estive para ver o show da divona – de cara lavada e suada, óbvio -, encontrei no meio das promoções do freeshop um estojo de make up incrível da clinique, a marca que uma de minhas (ex)  sogras queridas (zero ironia aqui, é sério) me fez amar, com pó, rímel, sombras, blush e batonzinhos. a clinique é foda, porque é maquiagem que não tem aquele cheiro ruim de maquiagem, que não coça, não mancha, não deixa a gente com cara de tia nem de palhaça nem de fantasma.

o problema é que o estojo era pequeno e tá tudo meio terminandinho. to sem previsão de voltar nos freeshops de rivera, do chuy e muito menos de buenos aires. alguém aí aceita encomenda?

* livre adaptação de canção de robbie williams

É esse aí. Recomendo muito.

vergonha alheia

17/01/2009

dei uma folheada numa revista cláudia deste mês e vi uma reportagem cujo título era “Solteiras na hora da conquista – Caretas ou pegadoras, mulheres na faixa dos 30 esbanjam autonomia. O que inclui praticar ou recusar ousadias com o sexo oposto…”

pela linha de apoio já dava para ter uma ideia do que estava por vir. me ocorreu de entrar no site e lá estava o texto na íntegra. se achava que ia ser ruim, ledo engano: era muito pior. o abre do texto é um apanhado de clichês de frases que se ouve de mulheres de todas as idades – e que querem dizer exatamente o contrário. se autodenominando “avulsas” e não solteiras, se dizendo no “auge da beleza e do vigor” e, principalmente, “na pista” – o qu foi traduzido pela repórter como “atrás de homem”.

nunca entendi esse tipo de reportagem de “comportamento” que ensina como as mulheres devem agir em determinadas situações. não fui assinante da capricho na tenra idade (e também não fiz balé ou jazz, o que talvez explique muita coisa sobre mim), lia as das amigas, e mesmo lá em 1993 achava estapafúrdio alguém achar que duas pessoas que usam aparelho poderiam se enganchar num beijo. mas entendo que para meninas que não têm com quem conversar a revista até pudesse ter um componente educativo.

mas mulher adulta lendo diquinha? ai, tenha dó, vergonha alheia dos depoimentos. vergonha própria pelas “minhas pares”, as mulheres “solteiras na faixa dos 30”. é mesmo com essa gente que eu tenho que me identificar? jura por deus? vai ver que enquanto eu namorava passou um bonde e eu não vi. mas definitivamente, não vou correr atrás do prejuízo. e aprender as gírias, só se for pra ficar bem longe delas.

glossário – extraído da revista cláudia

B.O. Homem galinha ou briguento.

Bambolê Aliança, sinal de que o cara é casado.

Criança O pênis. “Você viu a criança?”

Defunto Ex-namorado ou ex-marido.

Delivery O ficante que atende em domicílio.

Fazer caca Transar sem camisinha.

Kit completo Sair, beijar e transar.

Negocinho Fazer ou receber sexo oral.

Pegada Preliminares. Beijos e amassos.

Prestenção Gíria para avisar que um bonitão apareceu no pedaço.

Quebra-galho Caso antigo que não empolga muito, mas, na ausência de algo melhor, serve.

Sem mais detalhes Ficar por uma noite apenas. Só rola beijo.

Tudo de bom.com.br O cara perfeito.

24 h Homem que só dá sinal de vida um dia depois que combinou de aparecer, tem sempre uma desculpa. Em geral, é casado.

Vírgula Quando o pênis é bem pequeno.

Zé Cueca Namorado que liga toda hora e vigia.

Zica Homem feio, sem interesse.

já sofri por amor, é claro. chorei, me descabelei, achei que nunca mais ia ser feliz na vida. mas nenhum homem me trouxe um cabelo branco. nem uma ruga sequer. somente um. esse deixou uma marca indelével em mim. cada vez que eu olhar no espelho vou lembrar dele. porque tem um amassado ali que existe graças a ele.

neste ano, em que completo os 30, o homem mais importante da minha vida faz exatamente o dobro, 60. dele, herdei poucas, mas marcantes características físicas. uma delas – e a que mais vejo, todos os dias, apareceu há pouco, coisa de um ano. uma ruga bem marcada entre os olhos, típica de quem muito franze a testa. nele, a marca do tempo já é um sulco bem profundo; em mim, ainda é incipiente, mas aparece mais e mais em fotos, principalmente quando faz sol.

e mesmo maquiando pra dar uma disfarçada, caprichando nos óculos escuros de manhã e planejando um botox pra daqui a alguns (poucos) anos por ali, é uma ruga pela qual eu nutro um certo carinho. porque veio da cara do cara mais importante do mundo.