já estou conformada em não perceber mais quantos anos as pessoas têm. entre 20 e 40 anos, pode-se ter qualquer idade, loiras de longos cabelos e pose de gatinha estão beirando os quarenta, meninos mais novinhos estão judiados por cerveja e cigarro all night long, e é bem provável que a idade não esteja melhorando as minhas vistas, o que só soma para a confusão.

no entanto, tem uma coisa que entrega a idade para o bem e para o mal, inexoravelmente: o linguajar. por pouca que seja a diferença que cinco, seis anos (ok, dez) possa trazer em termos de referências – todo mundo sabe quem é a xuxa aí, certo? -, depois de uma certa idade, tu aprendes que certas gírias não se aplicam mais. e é aí que quero chegar, depois de todo esse preâmbulo: quando foi que os caras pararam de chamar só os amigos e começaram a chamar as mulheres de MEU?

não é um termo novo. os guris se chamavam de “meu” quando eu era criança. mas não chamavam as gurias de meu. nem de “minha”. tenho a impressão de que estive em uma caverna nos últimos anos. e agora, quando saí do exílio e sentei numa mesa de bar com esses caras, eles estão falando comigo – com o claro intuito de me beijar em instantes – e me chamando de MEU.

parem, parem, parem. é muito deselegante.

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