já fui uma namorada maluca. dessas que dão vexame e aparecem em reportagens da nova. aos 17 anos, derramei uma lata de azeite de oliva na camiseta do meu então namorado, que estava assinada pelos colegas – e PELAS colegas – do terceiro ano. o seguinte, aos 20, levou nada menos que um tapa, em plena festa, porque  estava dançando de forma libidinosa com uma colega. e com ambos tive muitos outros quebra-paus pelas mais diversas razões.

depois disso, já solteira, comentei com um amigo que ia tratar o meu próximo namorado como amigo. a gente não faz grosserias com um amigo.  não despeja as frustrações do dia nas costas dele. não cobra. então, concluí que esta seria a melhor maneira de levar um relacionamento. sem excessos e sem desespero.

e foi o que fiz – ou tentei fazer – no meu último relacionamento. foi difícil, já que, com ele, pela primeira vez ultrapassei a barreira da paixão – que, dizem, dura dois anos. foram quase seis, onde errei muito, mas sei que acertei muito mais. e também não fui 100% bem-sucedida, se levarmos em consideração que não estamos mais juntos.

estou numa fase de ler autores diferentes que me caem nas mãos. e tive uma grata surpresa com um livro de crônicas de um autor português que ganhei de um colega no jornal. o nome do cara – o escritor, não o colega – é joão pereira coutinho, e do livro, uma coletânea de crônicas publicadas na folha de s. paulo, av. paulista.

aproveitando o primeiro friozinho do ano, estava devorando as crônicas – que falam principalmente de dicas de autores, filmes, livros, músicas – com uma xícara de toddy light bem quentinha quando dou de cara com esse discurso:

O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite, e mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o “amor verdadeiro” é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente. (…) Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.

ele estava falando de jane austin, orgulho e preconceito. mas podia estar falando de mim. sou daquelas que leva um milhão de anos para se apaixonar, se envolver. e também sou daquelas que tenta ressuscitar o que parece não ter mais jeito. 

não entendo como se encerra um amor com outro. morro de inveja de quem consegue.

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homem-clichê

05/04/2009

uma reportagem em primeira pessoa na marie claire diz que há 1.162.000 mulheres brasileiras na faixa entre 30 e 39 anos solteiras – seria uma comunidade e tanto no orkut. elas (nós? ainda tenho 29, me deixaaaa) estão pelas ruas, pelas festas, pelas salas de cinema vendo “ele não está a fim de você”. e os homens nesta faixa etária? infelizmente, salvo raras exceções (se você é uma e lê este blog, miliga, miadd no orkut, mifollow no twitter) se estão pelas ruas e pelas festas, estão dando um camba na mulher. ou se parecem com esse cara que descrevo a seguir.

achava que só existiam nos filmes. de comédia romântica. como piada. mas não, existem mesmo. eu vi um. vi, ouvi e peguei. mas foi uma experiência antropológica, que culminou com um ataque de riso no banheiro depois de ele citar Milan Kundera. mas me adianto.

realmente existem homens que acham que há um modo certo de fazer as coisas.  devem ser os equivalentes masculinos das mulheres que leem manuais. um destes cruzou o meu caminho. perguntou qual meu Garcia Marquez favorito. me chamou para um vinho e perguntou que uva eu preferia. encheu os olhos de lágrimas para falar no pai. me convidou para viajar na páscoa, do NADA. e usou da seguinte lista:

cite livros intelectuais
se interesse pelo trabalho dela
diga como ela é bonita e inteligente
fale sobre o seu trabalho, se for burocrático/entediante, diga que está nessa pelo dinheiro, mas que sabe que pode mais
chame para um vinho. cerveja é coisa de bagaceira
pague a conta dela no bar
quando ela chegar ao seu apartamento, ofereça bebida. deixe a casa à meia-luz
ponha um som romântico. nei lisboa serve.
deixe seu aparato esportivo visível pela casa. e se gabe de andar 100 quilômetros de bicicleta
se ela der pra você, não peça o telefone. afinal, você é um homem-clichê, e mulher que vale a pena não dá no primeiro encontro.

mal sabia ele que nem precisava de tudo isso. a combinação ele ser bonito + eu estar na seca + 3 caipirinhas de morango = sexo em qualquer circunstância.

só lamento ter deixado na casa dele uma flor que estava no cabelo. comprei no rio, que perda.