primeiras impressões

19/04/2009

já fui uma namorada maluca. dessas que dão vexame e aparecem em reportagens da nova. aos 17 anos, derramei uma lata de azeite de oliva na camiseta do meu então namorado, que estava assinada pelos colegas – e PELAS colegas – do terceiro ano. o seguinte, aos 20, levou nada menos que um tapa, em plena festa, porque  estava dançando de forma libidinosa com uma colega. e com ambos tive muitos outros quebra-paus pelas mais diversas razões.

depois disso, já solteira, comentei com um amigo que ia tratar o meu próximo namorado como amigo. a gente não faz grosserias com um amigo.  não despeja as frustrações do dia nas costas dele. não cobra. então, concluí que esta seria a melhor maneira de levar um relacionamento. sem excessos e sem desespero.

e foi o que fiz – ou tentei fazer – no meu último relacionamento. foi difícil, já que, com ele, pela primeira vez ultrapassei a barreira da paixão – que, dizem, dura dois anos. foram quase seis, onde errei muito, mas sei que acertei muito mais. e também não fui 100% bem-sucedida, se levarmos em consideração que não estamos mais juntos.

estou numa fase de ler autores diferentes que me caem nas mãos. e tive uma grata surpresa com um livro de crônicas de um autor português que ganhei de um colega no jornal. o nome do cara – o escritor, não o colega – é joão pereira coutinho, e do livro, uma coletânea de crônicas publicadas na folha de s. paulo, av. paulista.

aproveitando o primeiro friozinho do ano, estava devorando as crônicas – que falam principalmente de dicas de autores, filmes, livros, músicas – com uma xícara de toddy light bem quentinha quando dou de cara com esse discurso:

O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite, e mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o “amor verdadeiro” é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente. (…) Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.

ele estava falando de jane austin, orgulho e preconceito. mas podia estar falando de mim. sou daquelas que leva um milhão de anos para se apaixonar, se envolver. e também sou daquelas que tenta ressuscitar o que parece não ter mais jeito. 

não entendo como se encerra um amor com outro. morro de inveja de quem consegue.

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5 Respostas to “primeiras impressões”

  1. mariapaula said

    nó na garganta aqui. happy hour amanhã? emendei todos meus namorados. um amigo, o potter, diz que sempre me viu “casada… uma tristeza”, segundo ele. hehehe sou daquelas que encerra um amor com outro. pergunte-me como. love, maria

  2. Rafa said

    acho triste emendar um amor no outro. não se aprende várias coisas. problema é quando se termina um namoro e não se emenda mais nada na vida… e fica se apaixonado feito louco por aí…

    não me invejo.

    bjs

  3. faço o tipo platônica … guardo o sentimento comigo até que ele vire apena lembrança . por isso minha vida sentimental é um zero a esquerda. preciso aprender a ser mais prática e realista … bjs

  4. Lella said

    atrasada, mas presente.

    nesses casos nunca existe a melhor maneira. tu pode terminar um relacionamento e ficar solteira até estar pronta pra outro e de bem com isso; ou pode se apaixonar pelo cara que conheceu no mc donald’s de madrugada e casar com ele. não tem regras.

  5. Lella said

    atrasada, mas presente.

    nesses casos nunca existe a maneira CERTA de agir. tu pode terminar um relacionamento e ficar solteira até estar pronta pra outro. e, importante, numa boa com isso; ou pode se apaixonar pelo cara que conheceu no mc donald’s de madrugada e casar com ele. não tem regras.

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