o três e o zero

23/06/2009

alguém pergunta e eu me engano, mas me corrijo em seguida. é que não me acostumei ainda. olho para o perfil no orkut e eles estão lá, juntos. o três e o zero no campo age.

procuro por sinais de que as coisas mudaram. há 30 anos em zh, nada demais, só os eua querendo intervir na nicarágua. hoje, os países são outros, mas eles seguem intervindo. meu cabelo era o mesmo do dia 11. minha vontade de perder uns quilos, minha milésima promessa de usar todos os dias o antirrugas e voltar pra academia continuavam ali. acordei com a mesma dorzinha chata no ombro direito que me persegue há alguns anos.

e aí percebi que passei um ano inteirinho me angustiando à toa. achando que estava inexoravelmente ficando velha. ok, estou, estamos. mas que diferença faz? tá tudo igual aos 29.

ou ainda, não tá não. há um ano, eu estava muito mais velha que agora. já tinha escrito meu futuro em detalhes. imaginava o que ia acontecer pelos próximos cinco ou dez anos e achava tudo muito natural. um apartamento, um casamento, um filho dali a dois anos. longe de estar apaixonada, estava serena. e serenidade em excesso envelhece.

agora, aos trinta, os próximos seis meses são uma interrogação, que dirá os cinco anos seguintes. nem mesmo o apartamento posso ter certeza que vai sair – na planta, é uma incógnita. a dúvida revigora. se pudermos aceitá-la sem nos angustiarmos em demasia, é claro.

a dúvida anda do lado da paixão. e isso sim que faz o cabelo e a pele ficarem diferentes.

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tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. já dormiu de conchinha, já fez jantinha e vê tevê abraçado no sofá. aí ele, como quem não quer nada, dizque não quer nada mesmo: que não pensa em namorar agora. tudo bem, você também não. mas ele reitera: não quer namorar nunca mais. porque anos de namoro depois ele decidiu que se envolver é uma tremenda perda de tempo.
e aí, você, quem nem estava pensando nisso, de repente fica surda porque dispara um alarme na sua cabecinha. nunca mais? e se você não achar que as coisas vão bem do jeito que estão daqui a dois meses? ou três? ou oito? e se você se apaixonar por aquele cara que hoje você via como uma excelente companhia?
certas reclamações (predominantemente femininas) parecem não ter razão de ser. se o cara faz juras e não era nada daquilo, é mentiroso; se é honesto e diz simplesmente que não pretende namorar, obviamente tem fobia de compromisso e é um egoísta. epa. será que é razoável pensar assim?
nós, mulheres, temos uma pecinha inata que nos faz pensar que com a gente, vai ser diferente. o maior canalha vai cair de quatro, o vagabundo vai começar a trabalhar, o ladrão se regenerará pelo nosso amor. NOT. ninguém muda se não quer mudar. as coisas acontecem de dentro pra fora.
mas essa pecinha feminina vai mais longe. ela faz com que a gente QUEIRA essa dificuldade. você, que nem pensava em promover o moço a namorado, pode começar a pensar nisso só pelo gostinho do desafio. de novo, NOT. esse desafio vai ter um gostinho amargo, fatalmente. ele te avisou que não quer. qual a parte que você não entendeu?
por sorte, beirando os 30 – são só mais dez dias de vinte e poucos… – estou aprendendo a controlar a pecinha, depois de muito penar com ela. se eu não quero namorar agora, por que me preocupar AGORA? não dá pra pensar nisso mais tarde, se precisar pensar? a ideia é se abster de aborrecimentos com coisas que não estão realmente incomodando, pelo estranho prazer de sofrer de graça.
cresçamos meninas, cresçamos.