homem-clichê

05/04/2009

uma reportagem em primeira pessoa na marie claire diz que há 1.162.000 mulheres brasileiras na faixa entre 30 e 39 anos solteiras – seria uma comunidade e tanto no orkut. elas (nós? ainda tenho 29, me deixaaaa) estão pelas ruas, pelas festas, pelas salas de cinema vendo “ele não está a fim de você”. e os homens nesta faixa etária? infelizmente, salvo raras exceções (se você é uma e lê este blog, miliga, miadd no orkut, mifollow no twitter) se estão pelas ruas e pelas festas, estão dando um camba na mulher. ou se parecem com esse cara que descrevo a seguir.

achava que só existiam nos filmes. de comédia romântica. como piada. mas não, existem mesmo. eu vi um. vi, ouvi e peguei. mas foi uma experiência antropológica, que culminou com um ataque de riso no banheiro depois de ele citar Milan Kundera. mas me adianto.

realmente existem homens que acham que há um modo certo de fazer as coisas.  devem ser os equivalentes masculinos das mulheres que leem manuais. um destes cruzou o meu caminho. perguntou qual meu Garcia Marquez favorito. me chamou para um vinho e perguntou que uva eu preferia. encheu os olhos de lágrimas para falar no pai. me convidou para viajar na páscoa, do NADA. e usou da seguinte lista:

cite livros intelectuais
se interesse pelo trabalho dela
diga como ela é bonita e inteligente
fale sobre o seu trabalho, se for burocrático/entediante, diga que está nessa pelo dinheiro, mas que sabe que pode mais
chame para um vinho. cerveja é coisa de bagaceira
pague a conta dela no bar
quando ela chegar ao seu apartamento, ofereça bebida. deixe a casa à meia-luz
ponha um som romântico. nei lisboa serve.
deixe seu aparato esportivo visível pela casa. e se gabe de andar 100 quilômetros de bicicleta
se ela der pra você, não peça o telefone. afinal, você é um homem-clichê, e mulher que vale a pena não dá no primeiro encontro.

mal sabia ele que nem precisava de tudo isso. a combinação ele ser bonito + eu estar na seca + 3 caipirinhas de morango = sexo em qualquer circunstância.

só lamento ter deixado na casa dele uma flor que estava no cabelo. comprei no rio, que perda.

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já sofri por amor, é claro. chorei, me descabelei, achei que nunca mais ia ser feliz na vida. mas nenhum homem me trouxe um cabelo branco. nem uma ruga sequer. somente um. esse deixou uma marca indelével em mim. cada vez que eu olhar no espelho vou lembrar dele. porque tem um amassado ali que existe graças a ele.

neste ano, em que completo os 30, o homem mais importante da minha vida faz exatamente o dobro, 60. dele, herdei poucas, mas marcantes características físicas. uma delas – e a que mais vejo, todos os dias, apareceu há pouco, coisa de um ano. uma ruga bem marcada entre os olhos, típica de quem muito franze a testa. nele, a marca do tempo já é um sulco bem profundo; em mim, ainda é incipiente, mas aparece mais e mais em fotos, principalmente quando faz sol.

e mesmo maquiando pra dar uma disfarçada, caprichando nos óculos escuros de manhã e planejando um botox pra daqui a alguns (poucos) anos por ali, é uma ruga pela qual eu nutro um certo carinho. porque veio da cara do cara mais importante do mundo.

o capitão

21/12/2008

desde que entrei na faculdade, em 1997… opa, opa, já começo a me perder. acho que foi adentrando os anos 2000 que essa turma começou a fazer amigo secreto. desde a época do papelzinho e dos presentes de balaio da multisom, muita gente entrou e saiu dessa nominata, mas a maioria permanece neste tempo todo. os presentes subiram de preço, os sorteios viraram online, sem medo de tirar seu próprio nome e sem o perigo de fraudes.

o local também varia bastante, já que alguém tem de estar disposto a ceder sua casa para no mínimo 12 horas de confraternização. só tem um pré-requisito: tem de ser um lar. não pode ser um restaurante ou qualquer outro lugar público do qual possamos ser expulsos. nos últimos tempos, ficamos mais exigentes. é importante também que haja piscina, já que no mês de dezembro em porto alegre até marinheiro em terra firme na bunda sua.

no entanto, mais importante que a piscina, é a churrasqueira. em reunião festiva de gaúcho, é heresia não tostar nacos de um novilho jovem, enquanto se entope o estômago de pão com alho e salsichão borússia. quando éramos mais jovens e pobres, cacetinhos dormidos e salsichão eram suficientes para aplacara a nossa fome. o que importava mesmo era a cerveja que, contanto que não fosse kaiser, poderia ser qualquer uma, desde que gelada a ponto de amortecer a língua.

mas a idade, ah, esta é inexorável e, com ela, vêm os apetites. um ano, surgiu a carne, e nos regojizamos. depois, veio a salada de batata. o queijo provolone. ultimamente abro a geladeira e não encontro nada menos que brahma extra no congelador dos churrascos.

eis que, neste ano, uma votação inesperada surge no meu mail: qual será o assador do nosso churrasco? e abaixo, uma lista de indicações. confesso que foi um baque. assador? peralá, assador é coisa de churrasco de tiozão! aparentemente, nossos amigos que costumam assar os churrascos cansaram de fazê-lo e decidiram que seria mais prático contratar um terceiro para executar o serviço.

parece uma coisa simples. precisa-se de um serviço, e contrata-se alguém para fazê-lo. só. mas não é isso. é o que estamos nos tornando. senhoras e senhores. para o próximo ano, prevejo garçons. em 2010, recreacionistas para os filhos dos casais. em 2011, uma unidade móvel da unimed!

em tempo: o vencedor da disputa para assar nosso churras foi o capitão. não pelo preço ou por diferencial no serviço, mas pelo apelido. pelo menos, mantivemos o bom-humor.