tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. já dormiu de conchinha, já fez jantinha e vê tevê abraçado no sofá. aí ele, como quem não quer nada, dizque não quer nada mesmo: que não pensa em namorar agora. tudo bem, você também não. mas ele reitera: não quer namorar nunca mais. porque anos de namoro depois ele decidiu que se envolver é uma tremenda perda de tempo.
e aí, você, quem nem estava pensando nisso, de repente fica surda porque dispara um alarme na sua cabecinha. nunca mais? e se você não achar que as coisas vão bem do jeito que estão daqui a dois meses? ou três? ou oito? e se você se apaixonar por aquele cara que hoje você via como uma excelente companhia?
certas reclamações (predominantemente femininas) parecem não ter razão de ser. se o cara faz juras e não era nada daquilo, é mentiroso; se é honesto e diz simplesmente que não pretende namorar, obviamente tem fobia de compromisso e é um egoísta. epa. será que é razoável pensar assim?
nós, mulheres, temos uma pecinha inata que nos faz pensar que com a gente, vai ser diferente. o maior canalha vai cair de quatro, o vagabundo vai começar a trabalhar, o ladrão se regenerará pelo nosso amor. NOT. ninguém muda se não quer mudar. as coisas acontecem de dentro pra fora.
mas essa pecinha feminina vai mais longe. ela faz com que a gente QUEIRA essa dificuldade. você, que nem pensava em promover o moço a namorado, pode começar a pensar nisso só pelo gostinho do desafio. de novo, NOT. esse desafio vai ter um gostinho amargo, fatalmente. ele te avisou que não quer. qual a parte que você não entendeu?
por sorte, beirando os 30 – são só mais dez dias de vinte e poucos… – estou aprendendo a controlar a pecinha, depois de muito penar com ela. se eu não quero namorar agora, por que me preocupar AGORA? não dá pra pensar nisso mais tarde, se precisar pensar? a ideia é se abster de aborrecimentos com coisas que não estão realmente incomodando, pelo estranho prazer de sofrer de graça.
cresçamos meninas, cresçamos.
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comédia romântica

15/05/2009

que tal completar 30 anos em pleno dia dos namorados (sem namorado e sem amigos, que estarão curtindo algum FONDUE da cidade), inverno (e invariavelmente chuvoso) e feriadão (quando os poucos amigos solteiros provavelmente vão viajar)? isso poderia ser um enredo de uma comédia romântica, se a mocinha conhecesse um homem incrível na cafeteria/descobrisse que é apaixonada pelo melhor amigo. mas era o que estava se desenhando ameaçadoramente para mim em menos de 30 dias.

NOT.

portanto, comprei ontem passagens para migrar para são paulo, para ficar bem longe desta pintura e, quem sabe, me dar bem.

e descubro que é o feriado da parada gay.

realmente, uma comédia. mas para romântica não serve.

já fui uma namorada maluca. dessas que dão vexame e aparecem em reportagens da nova. aos 17 anos, derramei uma lata de azeite de oliva na camiseta do meu então namorado, que estava assinada pelos colegas – e PELAS colegas – do terceiro ano. o seguinte, aos 20, levou nada menos que um tapa, em plena festa, porque  estava dançando de forma libidinosa com uma colega. e com ambos tive muitos outros quebra-paus pelas mais diversas razões.

depois disso, já solteira, comentei com um amigo que ia tratar o meu próximo namorado como amigo. a gente não faz grosserias com um amigo.  não despeja as frustrações do dia nas costas dele. não cobra. então, concluí que esta seria a melhor maneira de levar um relacionamento. sem excessos e sem desespero.

e foi o que fiz – ou tentei fazer – no meu último relacionamento. foi difícil, já que, com ele, pela primeira vez ultrapassei a barreira da paixão – que, dizem, dura dois anos. foram quase seis, onde errei muito, mas sei que acertei muito mais. e também não fui 100% bem-sucedida, se levarmos em consideração que não estamos mais juntos.

estou numa fase de ler autores diferentes que me caem nas mãos. e tive uma grata surpresa com um livro de crônicas de um autor português que ganhei de um colega no jornal. o nome do cara – o escritor, não o colega – é joão pereira coutinho, e do livro, uma coletânea de crônicas publicadas na folha de s. paulo, av. paulista.

aproveitando o primeiro friozinho do ano, estava devorando as crônicas – que falam principalmente de dicas de autores, filmes, livros, músicas – com uma xícara de toddy light bem quentinha quando dou de cara com esse discurso:

O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite, e mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o “amor verdadeiro” é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente. (…) Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.

ele estava falando de jane austin, orgulho e preconceito. mas podia estar falando de mim. sou daquelas que leva um milhão de anos para se apaixonar, se envolver. e também sou daquelas que tenta ressuscitar o que parece não ter mais jeito. 

não entendo como se encerra um amor com outro. morro de inveja de quem consegue.

o medinho dos 30 (e 31, 32, 33 e por aí vai) não é privilégio das XX. eis que nas notícias que aparecem lá em cima do gmail surge esta matéria do uol esporte:

Aos 35 anos, artilheiro do Vitória pede para não ser chamado de vovô

Autor de três gols na goleada por 7 a 0 sobre o Poções, o experiente meia Jackson, que no próximo dia 23 de março completará 36 anos, fez um pedido à imprensa nesta quinta-feira. Ele pediu para não ser chamado de vovô.  “Eu não gosto de ver as pessoas me chamando de vovô. Passo com meus filhos na rua e os torcedores me chamam de vovô. Eu não quero que as outras crianças que me encontram na rua me chamem desse jeito”, disse. “Nenhum preconceito, mas ainda não sou vovô. Aos 35 anos sei que ainda posso jogar muito”, declarou o meia.

men can be cruel.