bom de ser uma mocinha é usar maquiagem sem ficar com cara de criança que roubou os produtos da mãe. nunca fui de usar nada, era cara lavada fever até ver umas fotos no ano passado e achar que uma corzinha aqui e ali não faria mal a ninguém. o que ainda preciso pegar o jeito é o incrível processo de demaquiagem. me sujo, me molho, deixo a toalha do banheiro laranja. mas tudo se aprende com o tempo.

em ezeiza, na volta de buenos aires, onde estive para ver o show da divona – de cara lavada e suada, óbvio -, encontrei no meio das promoções do freeshop um estojo de make up incrível da clinique, a marca que uma de minhas (ex)  sogras queridas (zero ironia aqui, é sério) me fez amar, com pó, rímel, sombras, blush e batonzinhos. a clinique é foda, porque é maquiagem que não tem aquele cheiro ruim de maquiagem, que não coça, não mancha, não deixa a gente com cara de tia nem de palhaça nem de fantasma.

o problema é que o estojo era pequeno e tá tudo meio terminandinho. to sem previsão de voltar nos freeshops de rivera, do chuy e muito menos de buenos aires. alguém aí aceita encomenda?

* livre adaptação de canção de robbie williams

É esse aí. Recomendo muito.

vergonha alheia

17/01/2009

dei uma folheada numa revista cláudia deste mês e vi uma reportagem cujo título era “Solteiras na hora da conquista – Caretas ou pegadoras, mulheres na faixa dos 30 esbanjam autonomia. O que inclui praticar ou recusar ousadias com o sexo oposto…”

pela linha de apoio já dava para ter uma ideia do que estava por vir. me ocorreu de entrar no site e lá estava o texto na íntegra. se achava que ia ser ruim, ledo engano: era muito pior. o abre do texto é um apanhado de clichês de frases que se ouve de mulheres de todas as idades – e que querem dizer exatamente o contrário. se autodenominando “avulsas” e não solteiras, se dizendo no “auge da beleza e do vigor” e, principalmente, “na pista” – o qu foi traduzido pela repórter como “atrás de homem”.

nunca entendi esse tipo de reportagem de “comportamento” que ensina como as mulheres devem agir em determinadas situações. não fui assinante da capricho na tenra idade (e também não fiz balé ou jazz, o que talvez explique muita coisa sobre mim), lia as das amigas, e mesmo lá em 1993 achava estapafúrdio alguém achar que duas pessoas que usam aparelho poderiam se enganchar num beijo. mas entendo que para meninas que não têm com quem conversar a revista até pudesse ter um componente educativo.

mas mulher adulta lendo diquinha? ai, tenha dó, vergonha alheia dos depoimentos. vergonha própria pelas “minhas pares”, as mulheres “solteiras na faixa dos 30”. é mesmo com essa gente que eu tenho que me identificar? jura por deus? vai ver que enquanto eu namorava passou um bonde e eu não vi. mas definitivamente, não vou correr atrás do prejuízo. e aprender as gírias, só se for pra ficar bem longe delas.

glossário – extraído da revista cláudia

B.O. Homem galinha ou briguento.

Bambolê Aliança, sinal de que o cara é casado.

Criança O pênis. “Você viu a criança?”

Defunto Ex-namorado ou ex-marido.

Delivery O ficante que atende em domicílio.

Fazer caca Transar sem camisinha.

Kit completo Sair, beijar e transar.

Negocinho Fazer ou receber sexo oral.

Pegada Preliminares. Beijos e amassos.

Prestenção Gíria para avisar que um bonitão apareceu no pedaço.

Quebra-galho Caso antigo que não empolga muito, mas, na ausência de algo melhor, serve.

Sem mais detalhes Ficar por uma noite apenas. Só rola beijo.

Tudo de bom.com.br O cara perfeito.

24 h Homem que só dá sinal de vida um dia depois que combinou de aparecer, tem sempre uma desculpa. Em geral, é casado.

Vírgula Quando o pênis é bem pequeno.

Zé Cueca Namorado que liga toda hora e vigia.

Zica Homem feio, sem interesse.

já sofri por amor, é claro. chorei, me descabelei, achei que nunca mais ia ser feliz na vida. mas nenhum homem me trouxe um cabelo branco. nem uma ruga sequer. somente um. esse deixou uma marca indelével em mim. cada vez que eu olhar no espelho vou lembrar dele. porque tem um amassado ali que existe graças a ele.

neste ano, em que completo os 30, o homem mais importante da minha vida faz exatamente o dobro, 60. dele, herdei poucas, mas marcantes características físicas. uma delas – e a que mais vejo, todos os dias, apareceu há pouco, coisa de um ano. uma ruga bem marcada entre os olhos, típica de quem muito franze a testa. nele, a marca do tempo já é um sulco bem profundo; em mim, ainda é incipiente, mas aparece mais e mais em fotos, principalmente quando faz sol.

e mesmo maquiando pra dar uma disfarçada, caprichando nos óculos escuros de manhã e planejando um botox pra daqui a alguns (poucos) anos por ali, é uma ruga pela qual eu nutro um certo carinho. porque veio da cara do cara mais importante do mundo.

graur

29/12/2008

não acredito em horóscopo, mas que o leio, o leio. e eu gosto paca de ser de gêmeos (e quem não gosta do seu signo?), apesar dos defeitos que são creditados aos nativos, como duas-caras, mau-humorado e volúvel. também somos chamados de cínicos e até charlatães – vejam só que beleza. mas isso não é problema, porque o geminiano tem uma qualidade que bate todos esses desvios de caráter aí de cima: a versatilidade. sou metida a entender de tudo, a ler qualquer tipo de coisa e a falar com toda qualidade de gente.

geminiana – e dessa raça eu entendo, só aqui em casa somos quatro, se puder contar com a minha perra cachorra – tem opinião sobre tudo, mas não teima. se alguém argumentar bonito, concordaremos que o céu é cor-de-burro-quando-foge. porque se tem uma coisa que nos deslumbra não é carrão, nem lindos olhos, nem pau grande: é inteligência.

pois eis que comentam comigo que a pessoa, perto dos 30 anos, começa a sofrer mutações astrológicas. passa a  ficar com mais características do ascendente do que do signo solar. e nesse caso, minha gente, más notícias – não para mim, mas para os que me rodeiam: vou ficar mais leonina. aí, troca o mau-humor por ambição, cinismo por infidelidade, sarcasmo por falta de escrúpulos e charlatanismo por fanfarronice. na listinha de qualidades, nobreza, afetuosidade e generosidade. parece bom, né? pena que vem no pacote arrogância e vaidade.

enquanto estou lúcida, autorizo a todos que me belisquem quando eu começar a me achar demais.

o capitão

21/12/2008

desde que entrei na faculdade, em 1997… opa, opa, já começo a me perder. acho que foi adentrando os anos 2000 que essa turma começou a fazer amigo secreto. desde a época do papelzinho e dos presentes de balaio da multisom, muita gente entrou e saiu dessa nominata, mas a maioria permanece neste tempo todo. os presentes subiram de preço, os sorteios viraram online, sem medo de tirar seu próprio nome e sem o perigo de fraudes.

o local também varia bastante, já que alguém tem de estar disposto a ceder sua casa para no mínimo 12 horas de confraternização. só tem um pré-requisito: tem de ser um lar. não pode ser um restaurante ou qualquer outro lugar público do qual possamos ser expulsos. nos últimos tempos, ficamos mais exigentes. é importante também que haja piscina, já que no mês de dezembro em porto alegre até marinheiro em terra firme na bunda sua.

no entanto, mais importante que a piscina, é a churrasqueira. em reunião festiva de gaúcho, é heresia não tostar nacos de um novilho jovem, enquanto se entope o estômago de pão com alho e salsichão borússia. quando éramos mais jovens e pobres, cacetinhos dormidos e salsichão eram suficientes para aplacara a nossa fome. o que importava mesmo era a cerveja que, contanto que não fosse kaiser, poderia ser qualquer uma, desde que gelada a ponto de amortecer a língua.

mas a idade, ah, esta é inexorável e, com ela, vêm os apetites. um ano, surgiu a carne, e nos regojizamos. depois, veio a salada de batata. o queijo provolone. ultimamente abro a geladeira e não encontro nada menos que brahma extra no congelador dos churrascos.

eis que, neste ano, uma votação inesperada surge no meu mail: qual será o assador do nosso churrasco? e abaixo, uma lista de indicações. confesso que foi um baque. assador? peralá, assador é coisa de churrasco de tiozão! aparentemente, nossos amigos que costumam assar os churrascos cansaram de fazê-lo e decidiram que seria mais prático contratar um terceiro para executar o serviço.

parece uma coisa simples. precisa-se de um serviço, e contrata-se alguém para fazê-lo. só. mas não é isso. é o que estamos nos tornando. senhoras e senhores. para o próximo ano, prevejo garçons. em 2010, recreacionistas para os filhos dos casais. em 2011, uma unidade móvel da unimed!

em tempo: o vencedor da disputa para assar nosso churras foi o capitão. não pelo preço ou por diferencial no serviço, mas pelo apelido. pelo menos, mantivemos o bom-humor.