já estou conformada em não perceber mais quantos anos as pessoas têm. entre 20 e 40 anos, pode-se ter qualquer idade, loiras de longos cabelos e pose de gatinha estão beirando os quarenta, meninos mais novinhos estão judiados por cerveja e cigarro all night long, e é bem provável que a idade não esteja melhorando as minhas vistas, o que só soma para a confusão.

no entanto, tem uma coisa que entrega a idade para o bem e para o mal, inexoravelmente: o linguajar. por pouca que seja a diferença que cinco, seis anos (ok, dez) possa trazer em termos de referências – todo mundo sabe quem é a xuxa aí, certo? -, depois de uma certa idade, tu aprendes que certas gírias não se aplicam mais. e é aí que quero chegar, depois de todo esse preâmbulo: quando foi que os caras pararam de chamar só os amigos e começaram a chamar as mulheres de MEU?

não é um termo novo. os guris se chamavam de “meu” quando eu era criança. mas não chamavam as gurias de meu. nem de “minha”. tenho a impressão de que estive em uma caverna nos últimos anos. e agora, quando saí do exílio e sentei numa mesa de bar com esses caras, eles estão falando comigo – com o claro intuito de me beijar em instantes – e me chamando de MEU.

parem, parem, parem. é muito deselegante.

Anúncios

graur

29/12/2008

não acredito em horóscopo, mas que o leio, o leio. e eu gosto paca de ser de gêmeos (e quem não gosta do seu signo?), apesar dos defeitos que são creditados aos nativos, como duas-caras, mau-humorado e volúvel. também somos chamados de cínicos e até charlatães – vejam só que beleza. mas isso não é problema, porque o geminiano tem uma qualidade que bate todos esses desvios de caráter aí de cima: a versatilidade. sou metida a entender de tudo, a ler qualquer tipo de coisa e a falar com toda qualidade de gente.

geminiana – e dessa raça eu entendo, só aqui em casa somos quatro, se puder contar com a minha perra cachorra – tem opinião sobre tudo, mas não teima. se alguém argumentar bonito, concordaremos que o céu é cor-de-burro-quando-foge. porque se tem uma coisa que nos deslumbra não é carrão, nem lindos olhos, nem pau grande: é inteligência.

pois eis que comentam comigo que a pessoa, perto dos 30 anos, começa a sofrer mutações astrológicas. passa a  ficar com mais características do ascendente do que do signo solar. e nesse caso, minha gente, más notícias – não para mim, mas para os que me rodeiam: vou ficar mais leonina. aí, troca o mau-humor por ambição, cinismo por infidelidade, sarcasmo por falta de escrúpulos e charlatanismo por fanfarronice. na listinha de qualidades, nobreza, afetuosidade e generosidade. parece bom, né? pena que vem no pacote arrogância e vaidade.

enquanto estou lúcida, autorizo a todos que me belisquem quando eu começar a me achar demais.